Gengivite e periodontite são duas fases da mesma doença da gengiva, mas com uma diferença que muda o tratamento. A gengivite é uma inflamação só da gengiva: ela fica vermelha, inchada e sangra, mas o osso que segura o dente continua intacto, e com limpeza e boa higiene ela volta ao normal. A periodontite é quando essa inflamação desce e passa a destruir o ligamento e o osso em volta da raiz. O que se perdeu ali não volta ao que era; a doença pode ser estabilizada e controlada, mas exige acompanhamento pelo resto da vida.
Atendo muita gente que chega achando que “é só uma gengiva sensível” e, no exame, já tem bolsas e perda de osso. Por isso escrevi este texto: para você entender como uma vira a outra, quais sinais observar, como se faz o diagnóstico e como é o tratamento de cada uma. Se a sua gengiva já sangra ou está diferente, conheça o tratamento de gengiva que faço no consultório, na Av. Goiás, 301, Santo Antônio.
Qual a diferença entre gengivite e periodontite
A diferença entre gengivite e periodontite está na profundidade do estrago. Na gengivite, a inflamação fica na parte mole, na gengiva que você enxerga em volta do dente. Na periodontite, ela atinge o periodonto, que é o conjunto de tecidos que prende o dente no osso: gengiva, ligamento periodontal, cemento da raiz e osso alveolar.
Pense numa cerca de madeira. A gengivite é a tinta descascando: feio, mas a estrutura está inteira, e uma boa manutenção resolve. A periodontite é o cupim chegando no poste. Dá para parar o cupim, mas a madeira comida não se refaz sozinha. A tabela resume os pontos principais:
| Ponto | Gengivite | Periodontite |
|---|---|---|
| O que atinge | Só a gengiva | Gengiva, ligamento e osso que seguram o dente |
| Sinais mais comuns | Sangramento, vermelhidão, inchaço | Os mesmos, mais retração, mau hálito persistente, dente mole, espaços novos |
| É reversível? | Sim, a gengiva volta ao normal | Não; o osso perdido não volta, mas a doença pode ser controlada |
| Tratamento | Limpeza (profilaxia), raspagem supragengival e ajuste da higiene | Raspagem supra e subgengival com alisamento radicular, reavaliação e manutenção |
| Frequência de retorno | Em geral a cada seis meses, ou conforme o caso | Em geral a cada três ou quatro meses, de forma contínua |
Gengivite vira periodontite? Como uma leva à outra
Gengivite pode virar periodontite, sim, mas não em todo mundo e não de um dia para o outro. Toda periodontite começou como gengivite, só que nem toda gengivite evolui. Depende de quanto tempo a placa fica no lugar, da resposta do organismo de cada pessoa e de fatores como fumo e diabetes.
O caminho costuma seguir esta ordem. Primeiro vem a placa bacteriana, uma película mole que se forma no dente todos os dias e sai com escova e fio. Se ela fica ali alguns dias, absorve minerais da saliva e endurece, virando tártaro, que só sai no consultório. O tártaro perto da gengiva mantém a inflamação acesa: é a gengivite. Com o tempo, a inflamação faz a gengiva se soltar do dente e abre um espaço entre os dois, a bolsa periodontal. Ali dentro a escova não alcança, as bactérias se multiplicam, o tártaro desce pela raiz e o osso começa a ser reabsorvido. Nesse ponto, já é periodontite.
O problema é que essa passagem quase nunca dói. A pessoa vê a gengiva sangrar, acha que escovou forte demais e segue a vida. Por isso o sangramento merece atenção, e explico as causas possíveis em gengiva sangrando: o que pode ser.
Sinais de gengivite e sinais de periodontite
Os sinais de gengivite e de periodontite se misturam no começo, e é por isso que tanta gente confunde as duas. Alguns aparecem nas duas fases; outros só surgem quando o osso já está sendo perdido. Vale observar sem pânico, mas sem ignorar.
Quais são os sinais de gengivite?
A gengivite costuma dar gengiva vermelha ou arroxeada, inchada, com aspecto brilhante, e sangramento ao escovar ou passar fio dental. Às vezes há um pouco de mau hálito e sensibilidade ao toque. A gengiva continua no mesmo lugar e os dentes estão firmes.
Quais são os sinais de periodontite?
Na periodontite, os sinais da gengivite continuam e se somam a outros que mostram perda de suporte. Os mais comuns são:
- mau hálito que volta mesmo com boa escovação;
- gengiva retraída, com o dente parecendo mais comprido;
- espaços aparecendo entre dentes que antes eram juntos;
- dente mole ou mudando de posição;
- sensação de mordida diferente ao mastigar;
- pus saindo da gengiva ao apertar.
Atenção a quem fuma: o cigarro diminui o sangramento da gengiva, então quem fuma pode ter periodontite avançada com uma gengiva que parece “calma”. Nenhum sinal sozinho fecha diagnóstico, e a ausência de dor não quer dizer ausência de doença.
Fatores de risco que aceleram a doença
A placa é a causa da doença da gengiva, mas alguns fatores fazem a inflamação começar mais cedo, ser mais forte ou responder pior ao tratamento. Conhecer os seus ajuda a decidir com que frequência você precisa ser examinado.
O fumo é o principal deles: o cigarro reduz a circulação na gengiva, mascara o sangramento e atrapalha a cicatrização depois da raspagem. O diabetes, principalmente quando a glicemia está descontrolada, deixa a gengiva mais vulnerável à inflamação. Na gestação, as mudanças hormonais tornam a gengiva mais reativa à placa, e muitas grávidas notam sangramento que não tinham antes. Quem usa aparelho ortodôntico fixo acumula placa com mais facilidade em volta dos braquetes e precisa caprichar na higiene. Histórico familiar de perda de dentes, estresse prolongado e alguns medicamentos que causam boca seca também entram na conta.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico de gengivite e periodontite é feito no exame clínico, com sondagem periodontal e, quando necessário, radiografia. Não dá para diferenciar uma da outra só olhando no espelho, porque a perda de osso acontece por baixo da gengiva, num lugar que não se vê.
O que é a sondagem periodontal?
É a medição da profundidade do espaço entre a gengiva e o dente, feita com uma sonda fina e milimetrada, em vários pontos de cada dente. Até cerca de 3 milímetros, sem sangramento, é considerado saudável. Profundidades maiores, com sangramento, sugerem bolsa periodontal e perda de inserção. Incomoda pouco e é o exame que mais informa sobre a gengiva.
Para que serve a radiografia?
A radiografia mostra o nível do osso em volta da raiz e o tártaro que está escondido abaixo da gengiva. No consultório faço a radiografia periapical, que pega poucos dentes por vez com bastante detalhe. Quando o caso pede uma visão da boca inteira, peço a radiografia panorâmica em um centro de imagem e analiso o exame junto com a sondagem.
Como é o tratamento de cada uma
O tratamento de gengivite e periodontite tem a mesma base, que é tirar a placa e o tártaro, mas muda bastante em profundidade, número de sessões e acompanhamento. Na gengivite, o objetivo é devolver a saúde da gengiva; na periodontite, é parar a perda de osso e manter a doença sob controle.
Gengivite: limpeza e ajuste da higiene em casa
Na gengivite, faço a profilaxia, que é a limpeza dental feita no consultório, e a raspagem supragengival quando há tártaro visível. Depois, revisamos juntos a escovação e o uso do fio ou da escova interdental, porque é isso que impede a placa de voltar. Em poucas semanas a gengiva costuma desinchar e parar de sangrar.
Periodontite: raspagem supra e subgengival e manutenção
Na periodontite, além da parte de cima, é preciso tirar o tártaro de dentro das bolsas. Isso é a raspagem subgengival com alisamento radicular, feita com anestesia local e em geral dividida por partes da boca. Expliquei como é cada sessão, se dói e o que esperar depois em raspagem de gengiva supra e subgengival. Algumas semanas depois, refaço a sondagem para ver como a gengiva respondeu.
Por que a manutenção não é opcional
Quem teve periodontite tem mais facilidade para ter de novo. Por isso, depois do tratamento, entra em manutenção periódica, com retornos que costumam ficar a cada três ou quatro meses, para remover o tártaro novo antes que ele desça para as bolsas. Quem tem gengiva saudável segue outro intervalo, explicado em limpeza dental de quanto em quanto tempo.
Periodontite tem cura?
Periodontite tem controle, não cura no sentido de voltar ao que era. Quando o tratamento funciona, a inflamação para, as bolsas diminuem, o sangramento some e a perda de osso estaciona. Isso é a doença estabilizada, e muitas pessoas mantêm seus dentes por décadas assim.
O que não volta sozinho é o osso e o ligamento que já foram destruídos. Em alguns casos selecionados existem cirurgias regenerativas, mas elas têm indicação específica e não devolvem o quadro de antes em toda a boca. Por isso falo com honestidade com meus pacientes: a periodontite se controla com tratamento e manutenção, e quanto mais cedo começa, mais suporte se preserva. Algo parecido acontece em volta de implantes: a inflamação nesse caso se chama peri-implantite, e o assunto está em implante dentário inflamado.
Relação da gengiva com a saúde geral
A doença da gengiva não fica isolada na boca. Pesquisas mostram uma relação de mão dupla com o diabetes: a glicemia alta piora a gengiva, e a periodontite sem tratamento parece dificultar o controle da glicemia. Também há estudos que associam a periodontite a doenças do coração e a complicações na gestação.
Associação não quer dizer que uma coisa cause a outra, e ninguém precisa entrar em pânico por causa de uma gengiva que sangra. O ponto prático é outro: cuidar da gengiva é parte do cuidado com o corpo todo. Se você tem diabetes, está grávida ou trata alguma doença crônica, conte isso na consulta, porque muda a forma como acompanho a sua gengiva.
Quando procurar a dentista
O melhor momento para procurar avaliação é no primeiro sinal de sangramento que se repete por mais de uma ou duas semanas, mesmo sem dor. Nessa fase, quase sempre ainda é gengivite, e o tratamento é mais simples e mais confortável.
Também vale marcar consulta se você notar gengiva retraindo, espaços novos entre os dentes, dente mole ou mau hálito que não passa. Já inchaço no rosto, dor forte que piora, pus ou febre pedem atendimento rápido; nesses casos, veja a página de urgência odontológica.
Tratamento de gengiva em São Caetano do Sul: como é a avaliação
Sou a Dra. Andréia Castro, cirurgiã-dentista, CROSP 134095, e você pode conhecer mais da minha formação na página sobre a Dra. Andréia Castro. Na primeira consulta, examino a gengiva, faço a sondagem e, se precisar, a radiografia periapical no consultório. Você sai sabendo se tem gengivite ou periodontite, qual tratamento faz sentido e como será o acompanhamento.
Se você procura um dentista em São Caetano do Sul para cuidar da gengiva antes que o problema avance, atendo na Av. Goiás, 301, Santo Antônio, de segunda a sexta, das 10h às 19h. Chame no WhatsApp para marcar, ou veja as outras formas de falar comigo na página de contato.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre gengivite e periodontite?
A gengivite é a inflamação só da gengiva, que fica vermelha, inchada e sangra, e é reversível. A periodontite é quando a inflamação atinge o ligamento e o osso que seguram o dente. O osso perdido não volta, mas a doença pode ser controlada com tratamento e manutenção.
Gengivite vira periodontite?
Pode virar, se a placa e o tártaro ficarem no dente por muito tempo. A inflamação solta a gengiva, forma bolsas e o osso começa a ser perdido. Nem toda gengivite evolui, mas toda periodontite começou como gengivite. Fumo e diabetes aumentam esse risco.
Periodontite tem cura?
Não no sentido de voltar ao que era, porque o osso e o ligamento perdidos não se refazem sozinhos. Mas a periodontite tem controle: com raspagem e manutenção, a inflamação para, as bolsas diminuem e a perda de osso estaciona. Quanto antes tratar, mais suporte se preserva.
Gengivite tem cura?
Sim. Como atinge só a gengiva, a gengivite é reversível. Com limpeza no consultório, remoção do tártaro e boa higiene em casa, a gengiva costuma desinchar e parar de sangrar em poucas semanas. Se a placa voltar a acumular, a inflamação pode voltar também.
Como saber se tenho gengivite ou periodontite?
Só o exame no consultório diferencia com segurança. A sondagem periodontal mede a profundidade entre gengiva e dente, e a radiografia mostra o nível do osso. Retração, dente mole e espaços novos sugerem periodontite, mas nenhum sinal sozinho fecha o diagnóstico.
Periodontite faz o dente cair?
Pode fazer, nos casos avançados e sem tratamento. A doença vai destruindo o osso que segura o dente até ele ficar mole e, às vezes, cair. Com tratamento e manutenção, a perda de osso costuma estacionar e muitas pessoas mantêm seus dentes por muitos anos.
Gengiva sangrando é sempre gengivite?
Na maioria das vezes, sangramento ao escovar indica inflamação da gengiva, que pode ser gengivite ou periodontite. Escova muito dura, alguns remédios e certas alterações do sangue também podem causar. Se sangra com frequência por mais de uma ou duas semanas, vale uma avaliação.
De quanto em quanto tempo deve voltar quem tem periodontite?
Em geral, a cada três ou quatro meses, de forma contínua, para remover o tártaro novo antes que ele desça para as bolsas. O intervalo é ajustado conforme a resposta da gengiva. Quem tem gengiva saudável costuma voltar com menos frequência, como a cada seis meses.
